Prólogo_Uma Caçada Noturna
Não muito distante do santuário há uma grande
movimentação na floresta de pinheiros, ouvem-se sons dispersos, galhos de
cipestres se quebrando, gritos humanos, além dos ruídos característicos dos animais
noturnos. Em meio à escuridão viam-se homens com máscaras rústicas, pareciam
imitar feras, vestiam couraças e peles de animais, ou outros apenas com armaduras
simples, estes cobriam os rostos com os elmos de seus capacetes, via-se que
aquilo era uma caçada. Perseguem uma criatura semelhante a um javali, no
entanto, o animal é gigantesco e extremamente feroz, os olhos emanavam
labaredas de fogo e da boca saíam raios mortíferos, mostrava dentes afiados que
pareciam poder devorar qualquer coisa. Trata-se de um ser mitológico, um javali
dourado, que pela sua magnitude só podia ter sido enviado por algum Deus aos
arredores do Santuário. O animal possui uma fúria incontrolável e derrotava
facilmente aqueles que tentavam conter seus ataques, os feridos vão indo ao
chão. Todos estes homens são guerreiros, mas por que estariam à caça desta
besta com tanta determinação e afinco? Todo esse cenário fazia parte de uma grande
competição e para aquele que se consagrasse vencedor seria concedida a maior
honra que um homem pode ter, possuir a donzela mais bela de todas e ser o
progenitor do filho de uma deusa. Aquele que conseguisse a cabeça da fera seria
o primeiro e único a tocar a reencarnação da Deusa Atena na Terra.
De repente ouve-se um dos homens bradar:
-Foi alvejado! Uma flecha o atingiu!
O animal tombou, porém, o ferimento não fora tão profundo, mas
suficiente para derrubá-lo. Já não restavam muitos competidores, ao ouvir o
aviso, mesmo não sendo o autor do disparo, um deles se aproxima, usava uma
armadura rudimentar e olhando para o animal caído desembainha sua espada e com
um sorriso vitorioso, diz:
- Você é meu! E logo Atena também será!
Ouve-se um som de flecha e um grito:
-Ahh! Maldição!
O mascarado fora atingido no braço, prostrou-se de joelhos e rapidamente
livrou-se da máscara, tentando ver de onde procedia a flecha.
Entre os galhos, ouve-se o som de passos. Então, um jovem rapaz aparece
por detrás das árvores, dizendo:
- Parece que ainda não vai ser dessa vez que me
vencerá Jabu!
- Você? Desgraçado! Quantas vezes se colocará
em meu caminho? Disse Jabu, enraivecido.
- Ha, não se preocupe, essa será a última, já
que a vitória é minha!
Dizendo isto o homem, desembainha sua espada e a põe sobre o pescoço de
seu rival, este de olhos fechados, já estava preparado para o pior. Ouve-se um
som de corte.
O homem prostrado abre os olhos e vê a cabeça do grande animal rolar ao
chão.
- Mas o que? O que significa isso? Jabu diz,
abismado.
- Minha missão era matar uma fera, não um
insignificante como você! Viva e amargue sua derrota!
Dizendo isso, o homem guardou “o troféu” em um grande saco de couro,
virou-se e foi em direção ao santuário de Atena.
O derrotado derramava lágrimas de ódio, humilhado e sem forças nem para
levantar, já que o braço atingido sangrava muito. Só lhe restava olhar as
costas de seu rival. Dizia entre dentes:
- Me pagará por isso um dia! Maldito seja
Seiya!
Cap. 1_O Chamado dos Deuses
Saori estava em seus aposentos e parecia
controlada, apesar do momento difícil em que se encontrava e dos últimos
acontecimentos. Estava à espera daquele que seria o pai de seu herdeiro, mas este
lhe parecia o pior dia de sua vida. O tempo parecia se arrastar e quanto mais
passava, mais seu desespero aumentava, ela não podia imaginar que tipo de homem
seria o campeão e o que mais lhe magoava era o fato de seu coração carregar
sentimentos românticos por alguém. Como toda jovem na flor da idade, com os
seus 17 anos, ela sonhava com um grande amor, em se casar e ter filhos, mas
suas responsabilidades a impediam de sonhar e fazer planos, até mesmo de poder
declarar seus sentimentos à pessoa amada. Como suportar essa dor? Como sufocar
essa paixão? Agora estava tudo perdido, pelo menos assim pensava.
Seu sofrimento começara há algumas semanas
atrás. Em uma noite calma e comum, uma leve brisa soprava, Atena já estava em
seus aposentos, quando ouve um pequeno ruído vindo de fora, como um bater de
asas, rapidamente levanta-se para averiguar, abre a janela e se depara com um
menino semelhante a um querubim, possui cabelos ruivos e duas marcas singulares
na testa, além da incrível habilidade de voar, graças a pequenas asas que
possuía nos calcanhares, abismada com tal visitante, Atena exclama:
- Hermes! O que faz aqui há essa hora? E que
forma mais... Diferente!
O menino sorri de forma marota, dizendo:
- Sou o mensageiro dos deuses, mas não deixo de
ser um Deus, assim assumo a forma que bem entender, mas no momento há coisas
mais relevantes a se dizer! – Disse isso de forma maliciosa, tirando Atena de
seu estado singelo.
- Seu pai Zeus, mandou dizer que deseja vê-la,
daqui a uma semana ele a encontrará nas proximidades do templo de Zeus, recomendou
que vá sozinha, o assunto é de total interesse seu. – Seu tom era sarcástico, deixando a deusa
nervosa.
- Do que se trata? Adiante-me o assunto, o que
meu pai deseja já que estamos em paz?
- Tudo ao seu tempo jovem Atena, nunca esqueça
que por essa paz você jurou obedecer e respeitar seu pai, desde que os humanos
estivessem seguros. Mas garanto que tudo que o Todo Poderoso faz é para seu bem
e certamente o que ele tem a dizer não é tão ruim quanto imagina! Tenha uma boa
noite! - Dizendo isso, o pequeno dá uma pirueta no ar e desaparece deixando
Saori confusa, perdida em seus pensamentos:
“Como posso dormir bem, sabendo que o futuro da
Terra pode estar em jogo novamente? Por que os seres humanos tem que sofrer
tanto, nossa paz foi tão bela, mas aparentemente curta! Não, não posso me
precipitar, Zeus é compreensivo, por isso aceitou o tratado de paz, talvez o
assunto não seja tão grave quanto imagino. O melhor é tentar dormir, amanhã
conversarei com o Grande Mestre e saberei sua opinião sobre isso.”
Na manhã seguinte, o
atual Grande Mestre do Santuário, Nikol, (DESCRIÇÃO DE
NIKOL - GIGANTOMAQUIA) Cavaleiro de Prata de Altar, foi avisado de que
Atena desejava uma audiência com ele. Nikol mostrou preocupação, apesar de a
Terra estar em paz e ele ter bons presságios em relação ao futuro, o assunto
parecia ser de grande importância e seriedade.
- Entre - Disse o Grande Mestre.
Atena entra e senta-se, de frente para o
Mestre, em uma posição respeitosa e formal. Nikol diz:
- O que deseja Deusa Atena? Estou realmente
preocupado... Há algo que eu não pude prever? Ou talvez...
Nikol é interrompido - Por favor, ouça-me com
atenção Grande Mestre - Diz Atena.
- Ontem, enquanto estava em meus aposentos,
preparando-me para dormir, recebi um inesperado visitante, era Hermes que
trazia uma mensagem de meu pai Zeus, o qual eu respeito e obedeço, apesar de
não possuirmos laços verdadeiros.
Atena faz uma breve pausa. O homem ouvia a
tudo, pensativo.
- Ele deseja me encontrar para uma conversa, mas
realmente não tenho ideia sobre o assunto. Vim aqui para lhe colocar a par da
situação e lhe pedir um conselho sobre o que devo fazer, se devo ir sozinha ou
não.
Após pensar por alguns instantes, Nikol disse:
- Senhorita, sabemos que as ordens de seu pai são
irrefutáveis, e que suas palavras são leais, Zeus prometeu não ferir a Terra e
os seres humanos, pois alegou não ser a favor do derramamento de sangue
desnecessário, por estas razões creio que não há perigo, existem grandes
possibilidades de ser apenas um encontro comum, onde um pai deseja ver a filha.
Mas, por precaução estarei por perto, apenas o suficiente para não ser
detectado, mas não creio que ele lhe fará mal, talvez apenas queira fazer algo
em relação aos humanos e saber sua opinião sobre isso, mas isso é apenas uma
suposição.
O coração de Atena tranquilizou-se com as
palavras de Nikol. No entanto, este também permanecia intrigado, mas resolveu
controlar-se para não afligir a deusa.
Um dia antes da data marcada, Nikol teve um
sonho no qual estava em Star Hill, quando viu uma luz ofuscante vinda dos céus,
então uma voz imponente bradou:
- Nikol! Responda!
- Sim, este sou eu, quem deseja?
- Sou Zeus, desejo lhe contar meus planos para
com Atena!
- Senhor, não sou digno de tal honra...
- Tolo! Eis o representante dos deuses na
Terra, como pode haver ser mais digno?
- Sendo assim meu senhor, estou a seu dispor...
- Tudo o que eu lhe contar, também contarei
pessoalmente à minha filha amanhã, por isso não há a necessidade de que ela
saiba disto antecipadamente.
- Então senhor, por me contas?
- Você me ajudará em meu intuito, mas não se
preocupe, isso não manchará sua fidelidade à Atena, afinal o que almejo é para
o próprio bem de minha filha.
A seguir Zeus disse-lhe do que se tratava seu
plano, Nikol ouvia a tudo atentamente, por fim exclamou:
- Mas senhor, isto tudo não poderá trazer
sofrimento ao coração da deusa?
- Uma deusa não deve ter tais sentimentos e
como já disse, um dia ela compreenderá meus propósitos, às vezes os seres
humanos necessitam passar por um caminho de dor para chegar à sonhada felicidade
e como Atena escolheu ficar ao lado dos humanos e viver como eles, assim será.
Dizendo isto, sua voz cessou e o raio de luz
desapareceu, então o homem acordou ofegante. Sentou-se em sua cama e ficou a
pensar, teve a impressão de que havia alguma intenção maior por trás das
palavras do poderoso deus, mas resolveu dormir novamente e esperar pelo dia
seguinte.
Cap.
2_A Revelação
Ao anoitecer do
dia do encontro, uma leve brisa de outono
soprava, Saori estava sentada à beira de um pequeno lago localizado atrás do
templo de Zeus, este fora erigido após o acordo de paz selado entre Atena e seu
pai, isso incluía a adoração dos humanos a Zeus. O templo não era muito
distante do templo de Atena, e esta chegara um pouco mais cedo que o esperado,
a deusa admirava a beleza ao seu redor, havia flores e pequenos animais, como
um minúsculo esquilo que carregava uma nós, tudo na mais profunda harmonia, o
aroma das flores a fazia pensar profundamente.
“Ah, como as coisas são belas nesse mundo,
independente do que meu pai disser hoje, farei tudo o que for possível para
proteger este planeta e todos aqueles que nele habitam...”
De repente, Saori ouve o som de um forte bater
de asas, logo um lindo cisne pousa ao seu lado e miraculosamente transforma-se
em um senhor de meia idade, barba longa e cabelo comprido. Atena tentava se
manter calma perante tal cena. Ele então diz:
- Há quanto tempo minha querida filha!
- Sim, é verdade Zeus, não nós vemos desde o
acordo – Saori se mantinha fria, apesar dos claros sentimentos de Zeus, ela não
o considerava como um pai, apenas o respeitava por suas obrigações divinas.
- Vejo que parece aflita com nosso reencontro,
mas peço-lhe que fique tranquila, pois o que tenho a dizer não colocará em
perigo sua amada humanidade!
Seus olhos saltam nessa hora e num ímpeto,
Atena diz: – Não! Eu nunca duvidaria de suas palavras, mas conheço seu poder,
então, por favor, me diga qual o intuito desse encontro especial!
O deus ficou mais sério, então começou dizendo:
- Sabes muito bem que devido a minha infinita benevolência,
resolvi poupar a Terra e a humanidade. Mas para que este acordo seja cumprido,
precisamos manter vivos os laços entre os humanos e os deuses. Isto já foi
decidido no Olimpo, mas venho comunicar-lhe já que és peça fundamental para o
desenvolvimento de meu intuito.
Saori reconhecia a arrogância em seu tom de
voz, se sentia subjulgada, ela acreditava que com seus cavaleiros podia
vencê-lo, mas se havia alguém com quem não desejava lutar, esse era Zeus. Por
isso obedientemente, aceitou suas exigências em troca da segurança da
humanidade e pela paz. Ele continuou:
- Seu aniversário de 18 anos está próximo e
isso acarretará uma grande mudança em sua vida. Resolvi fazer um torneio de vida
ou morte entre os humanos seguido por uma grande caçada, no qual o vencedor
será honrado pelos deuses.
Saori estava pálida, mas mesmo assim disse: – Não
posso colocar vidas humanas em risco! – Saori estava alterada, pensava: “Os
humanos não são marionetes dos deuses!”
- Esperava que dissesse isso, concordo que as
regras da competição sejam de seu acordo, por isso vim consultá-la, não quero
ir contra minha própria palavra, se você discorda das mortes não haverá mortos,
no entanto ofereça-me guerreiros dignos de um grande entretenimento, os deuses
estão ansiosos por isso!
- Meus cavaleiros podem lutar, desde que suas
vidas sejam preservadas e que tudo isso seja pelo bem da Terra!
- Mas há a parte mais importante disso tudo,
sei que pensa que isso não passa de um jogo para os deuses e que isso pode
acarretar ódio no coração dos humanos, por isso a congratulação ao campeão será
um tesouro para toda a humanidade e a prova definitiva que humanos e deuses tem
uma aliança.
Atena parecia confusa – O que pode ser então?-
- Um semi-deus! A verdade é que a descendência
de Atena precisa ser prolongada, este será o progenitor do herdeiro do trono de
Atena.
- Está me dizendo que tenho de me casar quando
completar 18 anos e, além disso, gerar um filho? Isso é inacreditável!
- Por favor, acalme-se, faço isso pelo bem-estar
e convivência pacífica entre humanos e deuses, por você eu fiz este acordo, mas
sou o único deus a favor da humanidade e preciso de uma prova de que eles estão
ao nosso lado, esse filho será o elo. Você nasceu com uma missão a cumprir,
infelizmente seu fardo é pesado para uma humana, mas permita que a deusa dentro
de você guie seus passos, e não esqueça que a vontade dos deuses é suprema e
incontestável. Seu tom antes mais descontraído, agora era bem sério.
Saori estava com o rosto prostrado ao chão,
pensando em tudo que acabara de ouvir. Então ergue-se e séria diz:
- Antes que aqui chegasse, prometi a mim mesma
que faria qualquer coisa em prol da humanidade, não voltarei em minhas
palavras! Compreendo que não há outro modo,
farei de acordo com sua vontade meu pai!
- Então espero que os preparativos para o
grande torneio se iniciem logo, o Grande Mestre será responsável pela organização!
- Nikol já sabe? Disse espantada.
- Apareci a ele em um sonho, pedi-lhe sigilo,
mas não se preocupe ele é fiel a você, mas preciso de alguém que lhe auxilie no
processo.
- Pense bem em tudo o que eu disse e não
esqueça esse é seu destino – Dizendo isso, voltou à forma de cisne e voou alto
até que desaparecesse no céu noturno.
De longe, Nikol apenas observava com uma
expressão triste a pobre moça, que no momento parecia apenas uma jovem comum,
que enfrentaria grandes dificuldades. A jovem vendo-se sozinha e recuperando-se
do impacto inicial, tentava segurar lágrimas que insistiam em chegar. Passou
silenciosamente pelo Mestre, caminhou dirigindo-se ao Templo de Atena e logo
aos seus aposentos. Já em sua confortável cama, chorou copiosamente, lamentando-se
pelo destino cruel e por alguns momentos esquecendo-se que era uma deusa e de
suas obrigações.
- Por que tive de nascer com esse destino? Por
que não posso viver uma vida normal? Por que não posso ficar ao lado do homem
que amo? Oh meu querido, uma vida sem você, é preferível a morte... Por favor,
me ajude meu amado... Seiya!
Este não poderia ouvi-la, já que estava na casa
em que era guardião, encostado na imponente entrada da casa de Sagitário. No
entanto, neste momento, sente um aperto no coração e diz a meia voz:
- Saori... Será que ela poderia estar pensando
em mim agora? Com certeza não! - Diz,
balançando a cabeça - Quem eu penso que sou? Sou um reles cavaleiro, que nem ao
menos poderia pensar sobre os sentimentos de uma deusa, mas... Infelizmente,
isso não me impede de amá-la com todo o meu coração. Ah, Saori!
Tentando afastar tais pensamentos, o cavaleiro
volta a seus aposentos, tenta dormir e pelo menos sonhar com seu amor
impossível. Ele mal sabia o que o dia seguinte reservava, aquele dia mudaria
sua vida para sempre!
Cap.
3_Preparativos
Alguns soldados entram na sala do Grande Mestre
e um deles anuncia:
- Meu senhor! O vencedor está aqui! –
- Mande-o entrar - Diz o mestre.
Então um belo e esbelto jovem de cabelos
castanhos, estes ainda revoltos, ainda vestido com os trajes de caça e com uma
máscara que lembrava uma fera, adentra a sala, carregando consigo a cabeça da
besta, jogando-a no chão, diz:
- Aqui está o que desejava! Peço permissão para
me retirar! –
- Espere, que atitude é essa? Não deseja
receber a recompensa pelo seu grande feito?
- Meus objetivos já foram cumpridos! Que eram
proteger a honra de uma dama e extinguir a ameaça que os deuses mandaram!
- Tolo! Se não concluir seu dever, haveria outra
competição para achar o escolhido dos deuses! Mas estes certamente já o
escolheram! Por que hesita?
- Senhor, com todo o respeito, mas não devo
possuir uma mulher que não me ama! - Disse um pouco alterado.
- Não é uma questão de sentimentos e sim o destino,
se aconteceu assim, assim deve ser. Você é o único homem digno de ter uma deusa
em seus braços e principalmente ser o pai de sua descendência! Aceite aquilo
que é imutável!
- Mas e o sentimentos da senhorita? Acredito
que mesmo sendo uma deusa, ela não merece o direito de escolher?- Já um pouco
pesaroso, dizia.
- Às vezes a razão e o dever devem prevalecer
sobre os sentimentos. Atena é uma deusa, compreende seu destino. E você como um
leal servo deve seguir seu exemplo de amor e obedecer ao que lhe foi imposto,
afinal você é o vencedor e não há ninguém que possa substituí-lo.
Mesmo com o coração apertado, o cavaleiro
disse:
- Entendo senhor, cumprirei meu dever. Irei ao
encontro de Atena... – E virando-se caminhou em direção a porta.
- Espere! - Disse Nikol – Preciso saber quem é
a pessoa por detrás desta máscara!
O homem então a retirou e virou-se.
- Você? O Cavaleiro guardião da Casa de
Sagitário?
- Surpreso?
- Sim, no entanto, sinto-me aliviado por seres
um dos homens em que Atena mais tem confiança, louvados sejam os deuses!
Desejo-te sorte! E que cuides bem de nossa deusa!
Colocando a máscara e virando-se o cavaleiro
saiu, do lado de fora encontrou servas mascaradas, como as amazonas, que
cuidariam dele antes do encontro com sua prometida.
O homem se sentia desnorteado, apenas sendo
levado pela situação, não sabia o que fazer ou dizer, as coisas não haviam
saído de acordo com seus planos, mas sabia que a hora da verdade logo chegaria,
o momento de encarar sua amada deusa.
Uma serva bate à porta do quarto de Saori.
- Senhorita? –
A moça tenta se recompor e apresentar uma boa
aparência, seu pranto já cessara e
apesar das mãos ainda trêmulas, ela diz a serva:
- Entre! –
Ao entrar, vê-se que a deusa veste um longo e
delicado roupão bege de seda, a moça calmamente começa a dar-lhe notícias:
- Minha senhora, já temos um campeão, ele não
tardará a vir, no momento está recebendo o tratamento das servas, mas logo
estará aqui, vossa senhoria deseja alguma coisa antes que o escolhido chegue? –
Dizia um pouco aflita, ao ver o nervosismo que a moça tentava esconder.
Não conseguindo se segurar, Atena então
pergunta:
- Você o viu? Como ele é? –
- Senhora, não poderia dizer-lhe essas coisas,
mas tranqüilize-se, trata-se de um jovem belo e forte, certamente lhe trará
maravilhosos herdeiros.
- Obrigada. É apenas isso, pode se retirar. - A
moça não parecia menos aflita, mas tentava manter a serenidade e calma.
- Senhorita, perdoe minha ousadia, mas
aconselho-lhe a passar algo em seus lábios, já que me parece muito pálida, isso
realçaria sua beleza, gostaria de ajuda?
- Oh sim, agradeço sua preocupação – Dizendo
isto, a serva passou um leve batom em seus lábios deixando-a assim mais bela e
dando-lhe um leve toque de sensualidade. Em seguida, a esta deixou Saori sozinha
no quarto com seus pensamentos:
“Gostaria muito que essa informação me deixasse
menos angustiada, mas não desejo o homem mais belo ou mais forte do mundo e sim
apenas um, que para mim é perfeito. Meu amado o que será que estás a fazer agora?
Ah meu querido daqui a pouco nosso amor se tornará definitivamente
impossível... Mas quem sabe... Não! Não devo criar esperanças, afinal creio que
Seiya nem tenha participado desta competição, nunca me olhou como mulher, seu
amor sempre foi direcionado à Atena. Meu destino infelizmente já foi selado e
certamente será distante do seu...”
Enquanto isso Seiya é levado para uma enorme
sala de banhos, suas roupas e máscara de caça são retiradas pelas servas que se
propõem a lavar-lhe o corpo.
- Não, eu mesmo faço isso! Por favor, deixem-me
um pouco sozinho! - Diz um tanto envergonhado e ainda chateado com toda aquela
situação.
As servas se retiram e então o homem entra no
grande recipiente, mais parecido com um lago, rodeado por uma infinidade de
sais de banho, senta-se e fica apenas com pouco mais que a metade do corpo fora
da água, fecha os olhos e logo começa a pensar em como tudo aquilo começara...
Cap.
4 Laços
Mais uma calma manhã no santuário, Seiya é
acordado por um insistente barulho, alguém chamava por ele em frente à casa de
Sagitário.
O rapaz se levanta e apenas com a calça do
pijama se dirige para a entrada da casa - Já vou – Diz, entre bocejos.
Chegando lá, se depara com um homem alto, de belos
cabelos negros e longos, com uma típica roupa chinesa. Então exclama:
- A que devo a honra da visita do Cavaleiro de
Ouro de Libra, ainda mais às 7:00 horas da manhã? – Disse a última frase com
uma raiva fingida.
- É assim que trata os amigos que não vê há
tempos? Disse o rapaz, com uma cara desconfiada.
- Esse é o Shiryu que eu conheço, sempre
sentimental, senti sua falta amigo! – Diz Seiya, entre risos.
Apesar de hoje ser o Cavaleiro de Ouro de
Libra, Shiryu não habita o santuário, no momento o mundo está em paz e não há a
necessidade da presença integral dos cavaleiros. Shiryu mora nos Cincos Picos
Antigos de Rozan, onde treinou na infância. É casado com Shunrei e vive calma e
singelamente. Depois de casar-se, visitou pouco o santuário, este é o porquê da
surpresa de Seiya. Este, o convida para entrar e sentar-se ao redor de uma
mesa, dentro da casa.
- Então irmão, o que o trouxe por aqui? Não me
diga que sentiu mesmo saudades de mim? – Seiya tem um tom irônico.
- Bem, é verdade que senti sua falta, mas
diferente de você tenho minha esposa para me confortar... – Shiryu responde no mesmo
tom. Seiya fica sem resposta e com cara de bobo.
- Continuando – Diz Shiryu – Recebi um
comunicado do santuário, para que viesse imediatamente, você não soube de nada?
- Não... Será uma nova situação de emergência?
Mas como eu poderia não saber, mesmo morando aqui? – Seiya parecia confuso e
nervoso.
- Acalme-se, vindo para cá ouvi comentários
sobre a situação, parece que Saori, digo Atena, fará um importante comunicado
às 18:00 horas de hoje, mas não me parece nada grave, algo sobre seu
aniversário de 18 anos – Shiryu tenta traquilizar o amigo.
- Não acredito nisso! Ela convocou todos os
cavaleiros espalhados pelo mundo só pra dizer que vai dar uma festa? Essa Saori
é muito exagerada mesmo! – O rapaz demonstra certa implicância.
- Você sempre fala dela de forma desdenhosa, mas
não sei até quando conseguirá esconder seus sentimentos. Acho que já passou da
hora de você se declarar – Falou Shiryu, um pouco sério.
- Ah! Pare de dizer essas coisas, ela é uma
deusa e eu apenas um humano, ela nunca olharia para mim da mesma forma que eu
olho para ela – Diz Seiya, com um olhar um pouco perdido.
- É um conselho de amigo e irmão, o que você
tem a perder? Veja meu exemplo, declarei meus sentimentos a Shunrei, fui
correspondido e hoje sou o homem mais feliz do mundo! E pelo que sei nos
momentos em que você arriscou sua vida por Saori, duvido que tenha pensado
nesses tabus de deuses e humanos. Seja mais otimista Seiya! – Shiryu tentava
animar o amigo.
- Você fala assim como se fosse fácil, não
posso chegar até ela e dizer que a amo... Também não tenho muitas oportunidades
para ficarmos a sós... – Dizia em um tom melancólico.
- Se você não tentar, nunca vai saber. Esse
Seiya que desiste fácil nem parece o que eu conheço. E sobre vocês ficarem a
sós, que tal no dia do aniversário dela? Será daqui duas semanas, pode haver
uma chance! – Shiryu parecia empolgado.
- Talvez você esteja certo, afinal eu faria
qualquer coisa por essa mulher, quem sabe um dia ela me olhe como um homem. Mas
espero que você fique aqui e me dê apoio, vou precisar de ajuda para o momento
certo – Piscando um olho, Seiya pede apoio ao irmão.
- Nós podemos ajudar também? – Duas vozes são
ouvidas vindas da entrada da casa de Sagitário, lá estão dois rapazes, um de
cabelos castanhos e aparência delicada e o outro loiro de olhos azuis.
- Shun! E... Hyoga! – Seiya fica surpreso ao
ver os amigos.
- Olá Seiya – Diz Hyoga. –Há quanto tempo
Shiryu! -
- É bom ver vocês dois! – Diz Shiryu.
- Parece que estamos todos juntos novamente! –
Diz Shun – Menos meu irmão Ikki...
- Você nunca esquece o Ikki não é Shun? - Diz
Seiya em tom de brincadeira, dando uma escoradinha em Shun, que fica meio
corado.
- E você nunca esquece certa moça de longos
cabelos castanhos não é mesmo Seiya? – Diz Hyoga – Por isso permanece no
santuário!
- Então vocês já sabiam? – Agora quem fica
envergonhado é Seiya.
- Difícil não perceber, você nunca tentou
esconder também. – Diz Shun.
- Então quer dizer que finalmente você vai
tomar coragem e se declarar para Saori? Já estava na hora! – Diz Hyoga em tom
galhofeiro.
- Quem é o senhor para me falar sobre vida
sentimental, hein Hyoga? – Retruca Seiya.
- Pois fiquem sabendo que tenho uma namorada! –
Todos olham Hyoga, atônitos.
- Não me diga que é... É um... Um pinguim?
Disse Seiya, fazendo Shun e Shiryu caírem na gargalhada.
- Muito engraçado Seiya! – Diz Hyoga um pouco
chateado – Saibam que ela é linda, é uma princesa que conheci há algum tempo
atrás, seu nome é Natássia, assim como minha mãe, pretendo logo marcar o
noivado, estou apenas esperando meu pupilo crescer e ficar mais forte –
- Mesmo nome? Isso não é um pouco estranho? –
Diz Shiryu.
- Estranho é alguém ter uma noiva como a do
Shun e nunca tocá-la! – Diz Hyoga tentando escapar da pergunta de Shiryu.
Mesmo sendo o Cavaleiro de Ouro de Aquário, Hyoga
morava na Sibéria, visitava o santuário esporadicamente, já que os cavaleiros
não eram obrigados a permanecer lá, pois as guerras haviam acabado. Sempre
mantinha contato com Shun, eles eram melhores amigos. Shun, assim como Seiya,
também permanecia no santuário, hoje defende a casa de Virgem. Há poucos meses
havia se tornado noivo de June, mas era um rapaz muito tímido e seu noivado era
apenas formal, sem qualquer tipo de intimidade.
- June é uma amazona e eu a respeito por
completo, só vou tocá-la depois que nos casarmos! Por que sobrou pra mim? –
Shun parecia nervoso e encabulado.
Shiryu ria baixinho da conversa de seus amigos,
então diz:
- Parece que, por enquanto, eu fui o único que
se deu bem na vida amorosa...
- NÃO SE GABE! – Dizem os três em coro –
- Tudo bem, não está mais aqui quem falou – Shiryu
levanta as mãos em sinal de trégua.
- Mas logo, se tudo der certo, mas um de nós
será feliz ao lado da mulher que ama! – Diz um sorridente Shun, em seu tom
otimista de sempre.
- Nós te ajudaremos no que for preciso Seiya –
Diz Hyoga, também sorrindo e colocando a mão no ombro de Seiya.
- Obrigado amigos! – Diz agora, um encorajado
Seiya.
Os rapazes põem as mãos umas em cima das
outras, apenas para firmar o pacto de amizade feito por eles há muito tempo. Afinal,
além de amigos, eles eram irmãos e esse laço é indestrutível.
Cap.
5 - O Anúncio (FAZER MODIFICAÇÕES EM RELAÇÃO A ZEUS E
EXCLUIR A TRADIÇÃO)
Às 18:00 em ponto há muitas pessoas, incluindo
os 4 jovens cavaleiros de ouro, no local destinado à lutas no santuário, o
mesmo no qual Seiya lutou contra Cassius pela armadura de Pégaso, o lugar é
amplo, perfeito para se fazer comunicados a um grande contingente.
- O que será que essa esnobe vai inventar dessa
vez? – Diz Seiya, em tom de brincadeira.
- Eu não sei Seiya, mas a feição de Saori
demonstra que o assunto é sério - Diz Shiryu.
Seiya vira-se e vê o Grande Mestre, imediatamente
seguido por Atena, aparentemente séria, não brava e sim melancólica, isso cria
um clima de tensão entre os cavaleiros ali presentes, Seiya sente uma sensação
estranha, mas tenta disfarçar:
- O que será que ela tem? Dor de barriga? – Seiya
diz rindo, tentando afastar aquele sentimento ruim.
- Seiya! Vamos ouvir o que o mestre tem a
dizer! – Diz Shiryu ao outro, que finalmente fica quieto.
Saori senta-se em uma cadeira semelhante a um
trono e o mestre se posiciona atrás de algo como um púlpito e saúda a todos:
- Sejam bem vindos cavaleiros de todos os
cantos do mundo! Agradeço veementemente a presença de cada um. Hoje tenho um
grande anúncio para fazer, um de vocês terá a chance de possuir a maior honra
que um guerreiro pode ter - As palavras de Nikol eram calmas.
- Todos sabem que no Santuário
existem mitos e tradições e que um dos nossos deveres e tentar mantê-los. Apesar
de sermos simples mortais vivemos numa era de mitos e grandes heróis, temos a
honra de viver na mesma época em que a deusa Atena reencarnou na Terra e maior
honra ainda de poder lutar ao seu lado, mas a mitologia cita uma honra que pode
superar isso - O espanto e curiosidade dos ouvintes só cresce a cada frase do
Grande Mestre.
- As ações que ocorrerão a partir de hoje no
Santuário, tem muitas justificativas, mas a principal é fortalecer nossa deusa
protetora e manter seu sangue vivo! – Nessa hora, vê-se muitos olhares de
dúvida, talvez alguns já estavam até entendendo a situação.
- Oh não! Espero que a tradição a qual
ele se refere não esteja relacionada a Saori! – Disse Shiryu, bastante aflito.
- O que você quer dizer com isso Shiryu? –
Seiya ainda não compreendia, mas já mostrava preocupação. – Vamos, me diga!
- Acalme-se, vamos ouvir o que ele dirá, mas eu
espero estar errado...
- Haverá um grande torneio, do qual
participarão os guerreiros mais valentes e viris, este será composto de lutas
um a um e os últimos 15 classificados serão guiados à uma prova final, que é
somente determinada ao término do torneio – Disse o Mestre e continuou:
- Àquele que vencer o desafio final serão
concedidas muitas honras, riquezas e uma vida tranquila, até o final de seus
dias, considerando que os deuses estão em paz.
- Mas o que Saori tem haver com isso? -Diz Seiya a meia voz, já bastante angustiado.
- Agora chegamos ao ponto principal, nosso
torneio é baseado em teses, a primeira é que os humanos acreditam que as
mulheres desenvolvem sua verdadeira força no momento em que precisam proteger
algo muito precioso. E a segunda é sobre os semideuses, grandes heróis da
mitologia, que escreveram seu nome na história devido aos seus notáveis feitos.
Mas de onde vinha tal perfeição para os semideuses? Talvez juntar uma
existência superior com os humanos forme um ser esplêndido, com a força e
beleza de um deus, mas a garra, a perseverança e acima de tudo a vontade de viver
dos humanos. Juntando essas duas teorias, criou-se essa tradição. Ao completar
18 anos, Atena precisa se tornar uma mulher de verdade e acredita-se que ter um
herdeiro pode despertar uma força excepcional em nossa deusa e sem nenhuma
dúvida sua descendência deve ser perpetuada, o sangue divino deve ser mantido!
Mas para isso o escolhido não pode ser um deus, já que o filho de Atena deverá
ser um grande herói, essa é a razão pela qual o escolhido dos deuses deve ser
um humano, assim podendo dar origem a um semideus!
Na multidão viam-se rostos perplexos, aquela
história parecia muito confusa e foi dita de modo tão abrupto.
- Esse humano será o campeão das futuras
competições e como já relatado antes, terá a maior honra que um mortal pode
ter, ser o progenitor da descendência de uma deusa. No entanto existem regras
que não podem ser ignoradas, Atena nunca poderá ver o rosto ou mesmo ouvir a
voz daquele que a possuirá e o contato será único, a menos que não haja
concepção, poderão haver outras tentativas.
- Quaisquer outras questões podem ser
resolvidas posteriormente comigo, depois deste encontro estarei em minha sala
concedendo audiências aos interessados, agora por favor ouçam o que nossa deusa
tem a dizer sobre isso. Saori se levanta e com poucos passos chega ao púlpito,
então calmamente diz:
- Meus queridos cavaleiros, Nikol já disse
aquilo que era mais relevante, só espero do fundo do meu coração que entendam
esta situação, é a vontade dos deuses, especificamente de meu pai e que essa
será a confirmação definitiva de que somos aliados. Meu destino é proteger a
Terra e não há nada que eu não faria por esse propósito, esse é meu destino. –
Saori tentava parecer calma, mas era visível que se controlava. – Obrigada pela
presença aqui hoje e novamente rogo-lhes que me ajudem a vencer mais uma
batalha! – Nesse momento, ela olha em direção a Seiya que parecia atônito e sem
palavras, a moça tentou se manter firme, mas Seiya pode ver em seu olhar que
dizia claramente: ME AJUDE!
A moça virou-se e se retirou, não houve palmas,
apenas o silencia imperava, então o mestre o cortou:
- Aos interessados em participar do Grande
Torneio, por favor, procurem-me em minha sala daqui há uma hora, haverão
entrevistas e aqueles aprovados serão listados para o sorteio das chaves dos
combates, desde já desejo sorte a todos e que vença o melhor! –
Rodeado pelos rostos aflitos de Hyoga, Shun e
Shiryu, encontrava-se um Seiya com as mãos levadas a cabeça que disse em tom de
desespero:
- O que é que eu vou fazer agora?
Cap.
6 Decisão
- Acalme-se
Seiya. – Disse Shiryu pausadamente.
- Mas Shiryu, logo agora que tomei minha
decisão... – Seiya parecia confuso, seus olhos arregalavam-se.
- Sejamos racionais nesse momento, sei que sua
situação é difícil, mas ouça-me – Falando isso deu uma pausa e logo continuou:
Você é o único que pode proteger Saori nesse
momento - Seiya franze o cenho e diz:
Eu? Por que eu? - O rapaz ainda não compreendia
o raciocínio do amigo.
Por quê? Ora, você ama Saori, é notável que
seus sentimentos são puros e verdadeiros, de manhã procurávamos uma ocasião
para que você pudesse provar o seu amor, quem sabe agora os deuses não estão te
dando essa chance?
As coisas não são tão simples assim Shiryu!
Seiya exaltou-se um pouco – Eu não tenho tanta confiança ao ponto de pensar que
posso vencer o torneio!
Nessa hora, Shun interrompe:
- Você já derrotou deuses por ela, como pode
temer simples humanos?
- E nós estamos aqui – Disse Hyoga – Somos a
elite dos cavaleiros! Se todos nós entrarmos neste torneio, será fácil vencer!
Vocês fariam isso por mim? - O rapaz disse,
meio emocionado...
Será que você já esqueceu o juramento que
fizemos mais cedo, juntos nós conseguimos fazer milagres, onde está a sua fé? –
Diz Shun com um sorriso.
Mas não devemos esquecer, nossa prioridade é
proteger Atena e saber as verdadeiras intenções de Zeus, não sei se podemos
confiar plenamente nele – Disse Shiryu receoso, mas continuou:
- No
entanto, também acredito que se há um homem digno de estar ao lado de Saori,
esse é você Seiya! – Disse finalmente sorrindo.
-
Sinto-me mal, tentando fazer algo que não leva os sentimentos da senhorita em
consideração...
- Seiya, no momento não temos escolha, pense
que essa é mais uma de nossas batalhas e nós precisamos protegê-la pelo bem da
humanidade - Disse Hyoga firmemente.
- Apenas foque-se na vitória e depois decida o
que fazer em relação à senhorita... – Shun tentava animar o amigo, mas também
estava apreensivo.
- Eu não faço ideia de como essa história vai
acabar, mas sinto que com vocês ao meu lado, posso seguir em frente - Disse
Seiya com um sorriso fraco e melancólico.
Shiryu levanta-se e diz: - Vamos então, até
Nikol, selar o seu destino Pégaso!
Assim, os quatro jovens encaminharam-se à sala
do Grande Mestre.
Perto dali, atrás de uma árvore, uma sombra os
observava...
Cap.
7 O Torneio
.........................................
Cap.
Qualquer
O quarto estava escuro, não completamente, à
meia-luz. De repente ouve-se o som da porta se abrindo. A moça sentada à cama,
estremece ao ruído e arrepia-se, já não mais chorava, seu estado era de
desilusão, a deusa em si conformara-se com tal destino, aparentava calma. No
entanto, Saori Kido, a jovem e ingênua moça só pensava em seu amado e em como
nunca mais poderia estar ao seu lado, que não mais teria coragem de olhar em sua
face, pois estaria coberta pela vergonha de ser possuída por outro homem. Em
sua mente repetia um mantra, como uma forma de consolo e meio de arranjar
forças para cumprir suas obrigações: “Darei meu corpo a um qualquer, mas meu
coração permanecerá eternamente contigo meu amado...”
Uma silhueta aparece à porta, Saori não sabe
como reagir. Nota-se apesar da pouca claridade que se trata de um jovem
mascarado, veste uma túnica leve tipicamente grega. Apesar de adentrar, o jovem
não se afasta da porta, parece estático, sua cabeça estava cheia de
pensamentos: “ O que posso fazer, devo ir embora? Ou aproximo-me e conto-lhe
toda a verdade? Direi que não posso cumprir a vontade dos deuses, devido aos
meus sentimentos? Se ela viesse até mim, talvez eu tivesse coragem de
contar...mas ela me parece assustada...imagino que deve estar sofrendo, ah que
angústia! Não posso mais permanecer aqui, isso tudo foi um erro!” Virou-se e
fez menção de retirar-se.
Enquanto isso a moça também pensava: “Nesse
momento, acho que não posso mais, meu corpo não pode aceitar outro homem além
dele, estou com medo do que pode acontecer... Acho que vou até ele e contarei a
verdade, quem sabe possamos entrar em um acordo... Mas o que estou pensando? Este
homem, lutou em um torneio, enfrentou uma fera, nunca abrirá mão de sua
recompensa...”. A coitada não raciocinava direito. “Não, sei que não sou capaz
disso, caso ele seja um cavalheiro entenderá meus pudores de moça...”. Saori em
uma medida desesperada levanta-se da cama e nessa hora vê o jovem virar-se e pensa:
“O que ele está fazendo? Será que deseja ir embora? Quem sabe essa seja a
melhor solução...” Uma leve esperança brotou em seu coração, mas o peso da
responsabilidade lhe veio à mente: “Não, não posso permitir que vá, assim todos
saberão que não fui capaz de cumprir meu dever , meu Pai saberá e a Terra pode
correr perigo...”. Deu alguns passos rápidos em direção ao mascarado e tocou em
seu ombro, dizendo como uma voz fraca, quase chorosa: Por favor, não vá...
O rapaz sentiu o leve toque da mão em seu ombro
e pensou: “Pobre Saori, acredito que ela não quer estar aqui e muito menos
submeter-se a homem algum, o sacrifício que ela está disposta a fazer pela
humanidade é grande, mas pra mim ela é como um templo inviolável, merece ser
amada e respeitada e principalmente estar com quem deseja, eu não posso
tocá-la, isso não seria justo... decido-me a não macular minha deusa, no
entanto, Nikol foi claro sobre isto (EXPLICAR NO
ANÚNCIO), não posso falar em momento algum...como a farei entender minha
decisão?”
Mas nesse momento, seus pensamentos foram
interrompidos, a jovem buscou a mão do rapaz e o guiou até a cama. O jovem
desejava relutar, mas sentiu-se inebriado por aquele perfume e a sensação de
tocar a mão da mulher amada. Quando deu por si, encontrava-se sentado à beira
da cama e a moça em pé à sua frente. O coração dele batia tão forte no momento,
e a beleza exuberante da mulher o encantava de tal forma que o deixara sem
reação.
Então, inesperadamente, a moça ajoelhou-se,
segurou suas mãos e olhou profundamente em seus olhos...
Cap.
Outro
Seus olhos suplicantes faziam o coração do
cavaleiro doer,
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