Isso foi há uns 23 anos. Eu estava na alfabetização ou quem sabe na primeira série, tinha uns 6 anos. Há poucos meses eu havia deixado a escolinha "Brasileirinho" (já citada anteriormente) algo semelhante a um jardim de infância e contarei primeiramente o motivo real de ter deixado aquele lugar. Era uma escola particular e até hoje não compreendo como meus pais podiam pagar já que nossa condição financeira era dificílima. Mesmo com o pagamento de uma mensalidade que devia ser um valor simbólico na época, meus pais já cobravam resultados satisfatórios e concluiram que o ensino era pouco eficiente, já que as atividades eram apenas colagens e coisas do gênero e eu já sabia ler e escrever se não me falha a memória, fui alfabetizada por nossa vizinha de muro, Dona Ilza, uma mulher maravilhosa, dela e de sua família falarei em breve.
O que minha mãe não se recorda é que o verdadeiro motivo de deixar a escola Brasileirinho era o fato de sofrer bullying de colegas e ser exposta a uma criança de péssima educação que me falou palavras extremamente chulas e que ofenderam profundamente meus ouvidos de apenas 5 anos de idade. Vinícius, com idade semelhante a minha, era de pele e cabelos claros, cabelo baixo também, quem sabe minha preferência negativa por tal corte de cabelo proceda deste ponto do passado. Antigamente, nos jardins de infância, a configuração das mesas e cadeiras era geralmente quatro crianças em cada mesa, uma em cada lado do quadrado, essas em particular pintadas de verde ou amarelo fazendo referência ao nome da escola. Nesse fatídico dia, o tal menino Vinícius e eu ficamos na mesma mesa, ele de frente para mim, não me recordo se era alguma atividade específica ou se havia realmente mais duas crianças na mesa conosco. Em dado ponto da aula ele começou a me sussurrar obscenidades, não sei se é prudente citar, mas a frase que permanece até hoje em minha memória é "eu vou comer seu c*" e coisas do gênero. Me choca até hoje que uma criança dessa idade já tenha sido exposta prematuramente à pornografia e até hoje imagino que educação torpe que essa pobre criança recebeu. Hoje ele deve ser uma pessoa adulta e desejo que tenha se tornado uma boa pessoa além da educação que lhe foi dada.
Algo de criança alguns diriam, mas isso me marcou profunda e negativamente, tanto que um dia ao voltar da "Casa da Tia Nega" com minha mãe que por incrível que pareça havia notado a mudança em meu comportamento, já que estava traumatizada ou talvez as crianças demonstrem melhor o mal estar com certa situação ou quem sabe ainda o fato de eu me recusar a voltar à escola tenham dado este gatilho a ela que algo estava realmente errado. Ao subir a ladeira nos dirigindo à parada de ônibus para ir para casa, lembro dela me carregar em seu colo e eu chorar em seu ombro, lhe implorando para que que mudasse de escola, pois havia um garoto que tinha me dito "coisas feias". Mesmo sendo jovem e totalmente inocente você tem certa noção de censura e o que lhe ofende e pode ou não ser dito, isso vem da sua criação e eu sempre me orgulharei da minha em relação a valores morais e éticos. Sendo assim, minha mãe me transferiu para a escola pública Raimundo Gonçalves Nogueira, onde ocorreu a segunda parte dessa história...