domingo, 25 de março de 2018

O Caso do Twister


Papai e mamãe me levaram à praça da saudade, onde na época havia brinquedos em funcionamento, como se fosse um parque, acredito que isso não ocorra mais hoje em dia, infelizmente. Eu tinha menos de 10 anos na época. Não me recordo se Tati, minha irmã, estava conosco ou o porquê de não estar, mas lembro que estávamos apenas nós três.  Lembro-me de andar nesse brinquedo chamado TWISTER, mas acredito que era uma versão mais infantil e menos alta, se não minha mãe não permitiria que eu fosse sozinha. Lembro que os assentos eram duplos ou será que me recordo mal? Um de frente para o outro. Lembro que vi uma fivela de tiara (que na época eram chamadas de travessas) ou no banco da frente ou no banco em que eu estava, ao meu lado, acredito que tinha a forma de borboleta, as travessinhas dessa época tinham partes móveis, geralmente pequenos aros que circundavam acessórios maiores, como a borboleta no caso. Pensei será que pego para mim ou não, mas meus valores morais e timidez já diziam na época: deixe onde está, não pegue pois não é seu, então apenas observei a fivela. Antes de ir embora pedi aos meus pais para novamente dar uma volta no brinquedo, pois a sensação tinha sido muito boa, era como voar para alguém tão jovem, uma sensação de liberdade. Dessa vez os bancos da frente estavam ocupados por dois irmãos, um casal, um menino mais velho provavelmente da minha idade e uma menininha menor. Lembro de gostar de ambos, acredito que chegamos a conversar mas não faço ideia do teor da conversa. Sei que uma hora reparei que na travessa da garotinha faltava um dos acessórios. Certamente a borboletinha que tinha visto em outro assento do mesmo brinquedo que ela teria perdido anteriormente em uma outra volta. Senti um pouco de remorso pois gostaria muito de ter pegado a borboletinha e devolvido a ela, mas não tive atitude suficiente para tal. Sendo assim, eles se foram mas marcaram minha vida, pois mesmo depois de tantos anos não os esqueci, acho que nos tornamos amigos mesmo assim. Esse episódio me marcou muito e deve ter acontecido há uns 18 anos, acredito que desde o ocorrido eu passei a associar e contar coisas, tentar juntar pedaços e colecionar eventos sucessivos, por que como vimos uma hora ou outra eles podem fazer sentido juntos e serem as partes que completam um ao outro.

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